Autoridades iniciam operação para conter avanço da contaminação por lixão que desabou em Padre Bernardo

Autoridades iniciam operação para conter avanço da contaminação por lixão que desabou em Padre Bernardo

PADRE BERNARDO (GO) – Em resposta à grave crise ambiental provocada pelo desabamento do Aterro Ouro Verde, ocorrido em 18 de junho, uma força-tarefa foi formada nesta sexta-feira (4/7) para tentar evitar que os resíduos sólidos atinjam o Rio Maranhão, importante afluente da região. A operação emergencial envolve a Secretaria de Meio Ambiente de Goiás (Semad-GO), o Instituto Chico Mendes (ICMBio) e a prefeitura local.

Cerca de 40 mil toneladas de lixo — incluindo materiais hospitalares — deslizaram após as fortes chuvas, comprometendo o Córrego Santa Bárbara, que abastece famílias e pequenas propriedades rurais. Para evitar o alastramento da contaminação, a equipe técnica iniciou a transposição da água do córrego. A medida busca impedir que os resíduos cheguem até a Usina Hidrelétrica Serra da Mesa, o que agravaria ainda mais a situação ambiental.

Segundo a secretária Andréia Vulcanis, a situação segue crítica. “Estamos diante de um risco real de contaminação sistêmica, com metais pesados no solo e nos cursos d’água, que podem comprometer a região por muitos anos”, explicou. Equipes já trabalham na construção de uma estrada de acesso até o fundo do vale, onde os rejeitos estão acumulados. Faltam cerca de 80 metros para que os veículos consigam alcançar o local e iniciar a retirada do material.

O aterro, que operava sob liminar, já havia sido alvo de ações judiciais por irregularidades ambientais. Agora, além de estar interditado, a empresa gestora foi multada em R$ 37 milhões e teve R$ 10 milhões bloqueados para garantir as medidas de reparação.

Além da contaminação das águas do Rio do Sal e do Córrego Santa Bárbara — cujo uso foi suspenso por tempo indeterminado —, há risco iminente de colapso nas quatro bacias de chorume existentes no local, o que pode provocar novos deslizamentos.

Mais de 250 empresas do Distrito Federal utilizavam o espaço para descarte de resíduos. Agora, todas terão que buscar soluções alternativas enquanto o impacto do desastre segue sendo avaliado.