Justiça retira obrigação imediata do Estado de Goiás sobre aterro que desabou em Padre Bernardo

Justiça retira obrigação imediata do Estado de Goiás sobre aterro que desabou em Padre Bernardo

Uma decisão da Justiça Federal retirou, de forma provisória, a obrigação imediata do Estado de Goiás de executar ações emergenciais no Aterro Sanitário Ouro Verde, localizado no município de Padre Bernardo, no Entorno do Distrito Federal. O local foi palco de dois desabamentos de resíduos sólidos ao longo de 2025, o que gerou alerta ambiental e preocupação de moradores da região.

O entendimento judicial considerou que as exigências impostas anteriormente ao governo estadual tinham prazos considerados inviáveis, especialmente diante do período chuvoso, o que poderia comprometer a execução técnica das medidas determinadas.

Decisão suspende prazo curto para ações emergenciais

Inicialmente, uma decisão de primeira instância havia determinado que o Estado apresentasse, em poucos dias, um plano emergencial detalhado, com diagnóstico de riscos, medidas de contenção, prevenção de novos deslizamentos e ações para evitar o rompimento das lagoas de chorume do aterro.

No entanto, ao analisar recurso apresentado pelo governo goiano, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) concedeu liminar suspendendo essa obrigação imediata. Para o magistrado responsável, a exigência de um plano técnico complexo em prazo tão curto poderia ser desproporcional e de difícil execução prática.

A suspensão vale até o julgamento definitivo do recurso.

Estado ainda tem deveres a cumprir

Apesar de desobrigar o Estado de cumprir as medidas no prazo inicialmente estipulado, a Justiça manteve responsabilidades mínimas obrigatórias. Entre elas:

  • Comunicação e acompanhamento da área pela Defesa Civil Estadual e Nacional

  • Monitoramento permanente de riscos no entorno do aterro

  • Elaboração de plano de resposta rápida caso haja novo deslizamento

  • Garantia de abastecimento de água potável para comunidades que possam ser afetadas

Essas ações visam reduzir riscos à população enquanto o mérito da ação judicial não é totalmente analisado.

Histórico de desabamentos preocupa moradores

O Aterro Sanitário Ouro Verde já havia registrado um grande deslizamento em junho de 2025, quando dezenas de milhares de toneladas de lixo se espalharam pela área. O material foi removido posteriormente, mas o episódio acendeu um alerta sobre a estabilidade da estrutura.

Meses depois, em novembro, parte da mesma massa de resíduos voltou a ceder, reacendendo preocupações ambientais, especialmente quanto ao risco de contaminação de cursos d’água próximos.

Risco ambiental segue em monitoramento

Órgãos ambientais informaram que, até o momento, não foi confirmada contaminação de córregos da região, mas reconhecem que o risco existe, principalmente em períodos de chuva intensa. Técnicos seguem monitorando o solo, o chorume e a estabilidade das encostas do aterro.

Moradores e entidades ambientais cobram medidas definitivas para garantir segurança ambiental e evitar novos desastres.

Caso ainda terá novos desdobramentos

A decisão que desobriga o Estado de agir imediatamente é provisória. O processo segue em tramitação, e a Justiça ainda irá analisar o mérito da ação, podendo impor novas determinações ou restabelecer obrigações mais rígidas ao governo estadual.

Enquanto isso, o aterro permanece sob observação, e a situação segue sendo acompanhada por órgãos ambientais, Defesa Civil e Ministério Público.